Leitura do Livro do Profeta Isaías
Is 50:4-7 Fonte do texto: Padre Manuel de Matos Soares 1956 Baixe o Ambo para ver as leituras de hoje em outra tradução da Bíblia em português.
O Senhor deu-me língua de discípulo, para eu saber sustentar com a palavra o que está cansado: ele me chama pela manhã, pela manhã desperta os meus ouvidos, para que eu o ouça como discípulo. O Senhor Deus abriu-me o ouvido, e eu não o contradisse, não me afastei para trás. Entreguei o meu dorso aos que me feriam, e a minha face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me injuriavam e cuspiam. O Senhor Deus é o meu protetor, por isso não me senti confundido, por isso tornei a minha face como uma pedra duríssima sabendo que não ficaria envergonhado.
Salmo Responsorial
Sl 22:8-9, 17-18, 19-20, 23-24 Fonte do texto: Padre Manuel de Matos Soares 1956 Baixe o Ambo para ver as leituras de hoje em outra tradução da Bíblia em português.
Todos os que me vêem, escarnecem de mim, franzem os lábios, meneiam a cabeça (dizendo): "Esperou no Senhor: livre-o, salve-o, se é que o ama."
Com efeito, me rodeiam muitos cães (raivosos), uma turba de malfeitores me cerca. Traspassaram as minhas mãos e os meus pés, posso contar todos os meus ossos. Eles, porém, olham e, vendo-me, se alegram;
repartem entre si as minhas vestes, e lançam sortes sobre a minha túnica. Mas tu, Senhor, não estejas longe de mim: meu amparo, apressa-te a ajudar-me.
Anunciarei o teu nome aos meus irmãos, no meio da assembleia te louvarei. "Vós que temeis ao Senhor, louvai-o; vós todos, que sois a descendência de Jacob, glorificai-o: tema-o toda a posteridade de Israel.
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses
Fl 2:6-11 Fonte do texto: Padre Manuel de Matos Soares 1956 Baixe o Ambo para ver as leituras de hoje em outra tradução da Bíblia em português.
o qual, existindo na forma (ou natureza) de Deus, não julgou que fosse uma usurpação o seu ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e sendo reconhecido, por condição, como homem. Humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte da cruz. Por isso também Deus o exaltou e lhe deu um nome que está acima de todo o nome, de modo que, ao nome de Jesus, se dobre todo o joelho no céu, na terra e no inferno, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, na glória de Deus Pai.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos
Mc 14:1-15:47 Fonte do texto: Padre Manuel de Matos Soares 1956 Baixe o Ambo para ver as leituras de hoje em outra tradução da Bíblia em português.
Dali a dois dias era a Páscoa e os ázimos; os príncipes dos sacerdotes e os escribas andavam buscando modo de o prender por traição, para o matar. Porém, diziam: "Não convém que isto se faça no dia da festa, para que se não levante nenhum motim entre o povo." Estando Jesus em Betânia, em casa de Simão o leproso, enquanto estava à mesa, veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro cheio de um bálsamo feito de verdadeiro nardo de um grande valor, e, quebrado o vaso, derramou-lho sobre a cabeça. Alguns dos que estavam presentes indignaram-se, e diziam entre si: "Para que foi este desperdício de bálsamo? Pois podia vender-se por mais de trezentos dinheiros, e dá-los aos pobres. E irritavam-se contra ela. Mas Jesus disse: "Deixai-a. Porque a molestais ? Ela fez-me uma boa obra, porque vós tereis sempre convosco pobres, e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem; porém, a mim, não me tendes sempre. Ela fez o que podia: embalsamou com antecipação o meu corpo para a sepultura. Em verdade vos digo: Onde quer que for pregado este Evangelho por todo o mundo, será também contado, para sua memória, o que ela fez." Então Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os príncipes dos sacerdotes, para lhes entregar Jesus. Eles, ouvindo-o, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele procurava ocasião oportuna para o entregar. No primeiro dia dos ázimos, quando imolavam a Páscoa, os discípulos lhe disseram: "Onde queres que vamos preparar-te a refeição da Páscoa?" Então ele enviou dois dos seus discípulos, e disse-lhes: "Ide à cidade, e encontrareis um homem levando uma bilha de água; ide atrás dele, e, onde entrar, dizei ao dono da casa: o Mestre diz: Onde está a minha sala em que eu hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos? E ele vos mostrará uma sala superior, grande, mobilada e posta em ordem. Preparai-me lá o que é preciso." Os discípulos partiram, chegaram à cidade, encontraram tudo como ele lhes tinha dito, e prepararam a Páscoa. Chegada a tarde, foi Jesus com os doze. Quando estavam à mesa e comiam, disse Jesus: "Em verdade vos digo que um de vós, que come comigo, me há-de entregar. Então começaram a entristecer-se, e a dizer-lhe cada um de per si: Sou porventura eu? Ele disse-lhes: É um dos doze que se serve comigo no mesmo prato. O Filho do homem vai, segundo está escrito dele, mas, ai daquele homem por quem for entregue o Filho do homem! Melhor fora a esse homem não ter nascido." Enquanto comiam, Jesus tomou pão e, depois de o benzer, partiu-o, deu-lho e disse: "Tomai, isto é o meu corpo." Em seguida, tendo tomado o cálice, dando graças, deu-lho, e todos beberam dele. E disse-lhes : "Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que será derramado por muitos. Em verdade vos digo que não beberei mais desse fruto da vide, até àquele dia em que o beberei novo no reino de Deus." Cantados os salmos, foram para o monte das Oliveiras, Então, Jesus, disse-lhes: "Todos vos escandalizareis, pois está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão (Zc. 3, 7). Mas, depois que eu ressuscitar, preceder-vos-ei na Galileia." Pedro, porém, disse-lhe: "Ainda que todos se escandalizem a teu respeito, eu não." Jesus disse-lhe: "Em verdade te digo que hoje, nesta mesma noite, antes que o galo cante a segunda vez, me negarás três vezes." Porém, ele, insistia ainda mais: "Ainda que me seja preciso morrer contigo, não te negarei." E todos diziam o mesmo. Chegando a uma herdade, chamada Getsemani, Jesus disse a seus discípulos: "Sentai-vos aqui enquanto vou orar." Levou consigo Pedro, Tiago e João; e começou a sentir pavor e angústia. E disse-lhes: "A minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui, e vigiai." Tendo-se adiantado um pouco, prostrou-se por terra, e pedia que, se era possível, se afastasse dele aquela hora. Dizia: "Abba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; porém, não se faça o que eu quero, mas o que tu queres." Depois voltou, e encontrou-os dormindo, e disse a Pedro: "Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. O espirito na verdade está pronto, mas a carne é fraca." Tendo-se retirado novamente, pôs-se a orar, repetindo as mesmas palavras. Voltando, encontrou-os outra vez a dormir, porque tinham os olhos pesados. Não sabiam que responder-lhe. Voltou terceira vez, e disse-lhes: "Dormi agora e descansai. Basta, é chegada a hora; eis que o Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos; eis que se aproxima o que me há-de entregar." Ainda falava, quando chega Judas Iscariotes, um dos doze, e com ele muita gente armada de espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes, pelos escribas e pelos anciães. O traidor tinha-lhes dado uma senha, dizendo: "Aquele a quem eu oscular, é esse; prendei-o, e levai-o com cuidado." Logo que chegou, aproximando-se imediatamente de Jesus, disse-lhe: "Mestre!" e osculou-o. Então eles lançaram-lhe as mãos, e prenderam-no. Um dos circunstantes, tirando da espada, feriu um servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe uma orelha. Jesus, tomando a palavra, disse-lhes: "Como se eu fosse um ladrão, viestes com espadas e varapaus a prender-me? Todos os dias estava entre vós ensinando no templo, e não me prendestes. Mas isto acontece para que se cumpram as Escrituras." Então os seus discípulos, abandonando-o, fugiram todos. Um jovem seguia Jesus coberto sòmente com um lençol, e prenderam-no. Mas ele, largando o lençol, escapou-se-lhes nu. Levaram Jesus ao sumo sacerdote, e juntaram-se todos os príncipes dos sacerdotes, os anciães e os escribas, Pedro foi-o seguindo de longe, até dentro do pátio do sumo sacerdote. Estava sentado ao fogo com os criados, e aquecia-se. Os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho buscavam algum testemunho contra Jesus, para o fazerem morrer, e não o encontravam, Porque muitos depunham falsamente contra ele, mas não concordavam os seus depoimentos. Levantando-se uns certos, depunham falsamente contra ele, dizendo: "Nós ouvimos-lhe dizer: Destruirei este templo, feito pela mão do homem, e em três dias edificarei outro, que não será feito pela mão do homem." Porém nem este seu testemunho era concorde. Então, levantando-se no meio da assembleia o sumo sacerdote, interrogou Jesus, dizendo: "Não respondes nada? O que é que estes depõem contra ti?" Ele, porém, estava em silêncio, e nada respondeu. Interrogou-o de novo o sumo sacerdote, e disse-lhe: "És tu o Cristo, o Filho de Deus bendito?" Jesus respondeu: "Eu o sou, e vereis o Filho do homem sentado á direita do poder de Deus, e vir sobre as nuvens do céu (Ps. 109, 1 ; Dn. 7, 13)." Então o sumo sacerdote, rasgando os seus vestidos, disse: "Que necessidade temos de mais testemunhas? Ouvistes a blasfêmia. Que vos parece?" E todos o condenaram como réu de morte. Então começaram alguns a cuspir-lhe, a velar-lhe o rosto, e a dar-lhe punhadas, dizendo-lhe: "Profetiza!" Os criados receberam-no a bofetadas. Entretanto, estando Pedro em baixo no átrio, chegou uma das criadas do sumo sacerdote. Vendo Pedro, que se aquecia, encarando nele, disse: "Tu também estavas com Jesus Nazareno." Mas ele negou: "Não sei, nem compreendo o que dizes." E saiu fora para a entrada do pátio, e o galo cantou. Tendo-o visto a criada, começou novamente a dizer aos que estavam presentes: "Este é daqueles." Mas ele o negou de novo. Pouco depois, os que ali estavam diziam de novo a Pedro: "Verdadeiramente tu és um deles, porque és galileu." Ele começou a fazer imprecações e a jurar: "Não conheço esse homem de quem falais." Imediatamente cantou o galo segunda vez. Pedro recordou-se da palavra que Jesus tinha dito: "Antes que o galo cante duas vezes, me negarás três vezes." E começou a chorar. Logo pela manhã, tiveram conselho os príncipes dos sacerdotes com os anciães, os escribas e com todo o Sinédrio. Manietando Jesus, o levaram e entregaram a Pilatos. Pilatos perguntou-lhe: "Tu és o Rei dos Judeus?" Ele respondeu-lhes: "Tu o dizes." Os príncipes dos sacerdotes acusavam-no de muitas coisas. Pilatos interrogou-o novamente: "Não respondes coisa alguma? Vê de quantas coisas te acusam." Mas Jesus não respondeu mais nada, de sorte que Pilatos estava admirado. Ora ele costumava no dia da festa (de Páscoa) soltar-lhes um dos presos, qualquer que eles pedissem. Havia um chamado Barrabás, que estava preso com outros sediciosos, o qual, num motim, tinha cometido um homicídio. Juntando-se o povo, começou a pedir o (indulto) que sempre lhes concedia. Pilatos respondeu-lhes: "Quereis que vos solte o Rei dos Judeus?" Porque sabia que os príncipes dos sacerdotes o tinham entregado por inveja. Porém, os príncipes dos sacerdotes, incitaram o povo a que pedisse antes a liberdade de Barrabás. Pilatos, falando outra vez, disse-lhes: "Que quereis pois que eu faça ao Rei dos Judeus?" Eles tornaram a gritar: "Crucifica-o!" Pilatos, porém, dizia-lhes: "Que mal fez ele?" Mas eles cada vez gritavam mais: "Crucifica-o!" Então Pilatos, querendo satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás. Depois de fazer açoutar Jesus, entregou-o para ser crucificado. Os soldados conduziram-no ao interior do átrio, isto é, ao Pretório, e ali juntaram toda a coorte. Revestiram-no de púrpura e cingiram-lhe a cabeça com uma coroa entretecida de espinhos. E começaram a saudá-lo: "Salve, Rei dos Judeus!" E davam-lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-lhe no rosto, e, pondo-se de joelhos, faziam-lhe reverências. Depois de o terem escarnecido, despojaram-no da púrpura, vestiram-lhe os seus vestidos, e levaram-no para o crucificar. Obrigarem um certo homem que a a passar, Simão de Cirene, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a levar a cruz. Conduziram-no ao lugar do Gólgota, que quer dizer lugar do Crânio. Davam-lhe a beber vinho misturado com mirra, mas ele não o tomou. Tendo-o crucificado, dividiram os seus vestidos, lançando sortes sobre eles, para ver a parte que cada um levaria. Era a hora tércia quando o crucificaram. A causa da sua condenação estava escrita nesta inscrição: O REI DOS JUDEUS. Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e outro à esquerda. Cumpriu-se a Escritura, que diz: Foi contado entre os maus (Is. 53, 12). Os que iam passando blasfemavam, abanando as suas cabeças, e dizendo: "Ah! tu, que destróis o templo de Deus, e o reedificas em três dias, salva-te a ti mesmo, descendo da cruz." Do mesmo modo, escarnecendo-o também os príncipes dos sacerdotes e os escribas, diziam entre si: "Salvou os outros, e não se pode salvar a si mesmo. O Cristo, o Rei de Israel desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos." Também os que tinham sido crucificados com ele o insultavam. Chegada a hora sexta, cobriu-se toda a terra de trevas até à hora nona. E, à hora nona, exclamou Jesus em alta voz: "Eloí, Eloí, lamma sabachtani?" que quer dizer: "Deus meu. Deus meu, porque me desamparaste?" Ouvindo isto, alguns dos circunstantes diziam: "Eis que chama por Elias." Correndo um, e ensopando uma esponja em vinagre, e atando-a numa cana, dava-lhe de beber, dizendo: "Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo." Mas Jesus, dando um grande brado, expirou. O véu do templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. O centurião, que estava defronte, vendo que Jesus expirava dando este brado, disse: "Verdadeiramente este homem era Filho de Deus." Encontravam-se também ali algumas mulheres vindo de longe, entre as quais estava Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago menor e de José, e Salomé, as quais já o seguiam e serviam quando ele estava na Galileia, e muitas outras, que, juntamente com ele, tinham subido a Jerusalém. Quando era já tarde - pois era a Preparação, isto é, a vigília de sábado - , foi José de Arimateia, membro ilustre do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, apresentou-se corajosamente a Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos admirou-se de que estivesse já morto; mandando chamar o centurião, perguntou-lhe se estava já morto. Informado pelo centurião, deu o corpo a José. José, tendo comprado um lençol, e tirando-o da cruz, envolveu-o no lençol, depositou-o num sepulcro, que estava aberto na rocha, e rolou uma pedra para diante da boca do sepulcro. Entretanto Maria Madalena e Maria, mãe de José, estavam observando onde era depositado.